O leste da Índia, no estado de Bengala Ocidental, registra cinco casos confirmados do vírus Nipah (NiV), incluindo profissionais de saúde como médicos e enfermeiros, gerando preocupação internacional. A doença pode evoluir rapidamente para encefalite aguda e levar à morte, com taxa de letalidade estimada entre 40% e 75%, dependendo da capacidade de atendimento médico local.
Quase 100 pessoas foram orientadas a permanecer em quarentena, e casos suspeitos estão sendo tratados na capital do estado, Calcutá, onde um paciente permanece em estado crítico. O vírus provoca sintomas iniciais relativamente comuns, como febre, dor de cabeça, tontura e vômitos, mas pode evoluir rapidamente para quadros neurológicos graves, incluindo rebaixamento do nível de consciência, alterações no tronco encefálico, dificuldade para engolir e respirar, convulsões e movimentos involuntários.
Transmissão e fatores de risco
Segundo a infectologista e patologista clínica Carolina Lázari, membro da SBPC/ML, o vírus Nipah tem origem natural, com os principais reservatórios sendo morcegos frugívoros do gênero Pteropus. Esses animais não adoecem, mas eliminam o vírus pela saliva, urina e fezes. A transmissão ao ser humano ocorre de forma direta, pelo contato com os animais ou suas excretas, ou de maneira indireta, por alimentos contaminados.
“Em surtos anteriores na Malásia, a doença também afetou criadores de porcos”, explica a médica. No contexto da Índia e de Bangladesh, sintomas respiratórios graves, como tosse, falta de ar e insuficiência respiratória, têm sido associados a maior mortalidade e maior risco de transmissão entre pessoas, já que secreções respiratórias se tornam fonte de contágio direto.
O período de incubação do Nipah varia de 4 a 14 dias, podendo se estender em casos raros para até 45 dias. Nos quadros mais graves, encefalite e convulsões podem evoluir para coma em 24 a 48 horas.
Diagnóstico, prevenção e tratamento
O diagnóstico da doença é feito por exame de PCR no líquor, o que pode dificultar a detecção precoce. Atualmente, não existe vacina disponível, e o tratamento é de suporte, muitas vezes em unidade de terapia intensiva.
Para prevenir a disseminação, especialistas recomendam reduzir o contato com morcegos, proteger alimentos da contaminação, utilizar equipamentos de proteção individual em casos respiratórios e, se necessário, realizar o abate controlado de animais infectados.
Risco para o Brasil
Apesar do alerta internacional, o risco para o Brasil é considerado baixo. “O gênero de morcegos associado ao Nipah, Pteropus, não existe nas Américas. Portanto, a chance de surtos de grande magnitude é remota, limitada a introduções pontuais e improváveis”, afirma a especialista.



