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Segunda, 02 de fevereiro de 2026

Sociedade Brasileira de Dermatologia destaca alta de casos de câncer de pele

Diagnóstico precoce e acesso à consulta dermatológica são cruciais para reduzir complicações.

26 de jan 2026 - 16h:48 Créditos: Redação, com informações da Agência Brasil
Crédito: Ilustrativa/Freepik

O câncer de pele no Brasil registrou um aumento expressivo na última década, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Os diagnósticos saltaram de 4.237 casos em 2014 para 72.728 em 2024, com incidência maior nos estados do Sul e Sudeste, enquanto regiões do Norte e Nordeste apresentam taxas historicamente mais baixas.

Em 2024, a estimativa nacional apontou 34,27 casos por 100 mil habitantes, ligeiramente inferior ao pico de 2023 (36,28). Espírito Santo (139,37) e Santa Catarina (95,65) lideram o ranking, seguidos por Rondônia (85,11), que se destacou fora do eixo regional. A SBD atribui esses números à combinação de fatores como maior exposição solar, população de pele clara e envelhecimento.

“Em estados historicamente subnotificados, como Roraima, Acre e Amapá, o aumento de registros pode refletir avanços na vigilância, apesar de áreas rurais ainda apresentarem subnotificação”, destaca a entidade.

Diagnóstico precoce e acesso à saúde

A SBD aponta que a alta de diagnósticos se intensificou a partir de 2018, quando se passou a exigir o registro do Cartão Nacional de Saúde e do CID-10 para biópsias. Porém, a entidade alerta para a desigualdade de acesso: usuários do SUS enfrentam 2,6 vezes mais dificuldade para marcar consultas dermatológicas do que pacientes da saúde privada.

O volume de consultas no SUS caiu durante a pandemia, chegando a 2,36 milhões em 2020, mas já se recuperou em 2024, totalizando 3,97 milhões. No setor privado, a procura permanece duas a três vezes maior, ultrapassando 10 milhões de atendimentos anuais, aumentando a chance de detecção precoce de lesões suspeitas.

Segundo a SBD, o diagnóstico precoce é essencial para reduzir procedimentos invasivos e tratamentos complexos, especialmente em casos de melanoma.

Desafios na interiorização do atendimento

O levantamento também destaca a concentração de unidades de alta complexidade: São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul concentram a maioria dos Cacons e Unacons, enquanto estados do Norte e Nordeste, como Acre, Amazonas e Amapá, possuem apenas um Unacon cada, sem Cacons. A consequência é que pacientes dessas regiões frequentemente iniciam o tratamento tardiamente, aumentando o risco de complicações.

O tempo entre diagnóstico e início da terapia varia: no Sudeste e Sul, a maioria inicia o tratamento em até 30 dias, enquanto no Norte e Nordeste a espera ultrapassa 60 dias em muitos casos.

Prevenção e políticas públicas

Para reduzir o impacto da doença, a SBD defende medidas urgentes: ampliar o acesso a protetor solar, fortalecer o diagnóstico precoce e investir em prevenção. A entidade também busca a inclusão do filtro solar na lista de itens essenciais na Reforma Tributária, o que reduziria o custo e aumentaria o acesso da população.

Os dados coletados pela SBD foram encaminhados a deputados e senadores, com o objetivo de fortalecer a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer e o Programa Nacional de Navegação da Pessoa com Diagnóstico de Câncer no SUS.

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