A indicação da coronel médica Cláudia Lima Gusmão Cacho para o posto de general marca um momento histórico nas Forças Armadas brasileiras. Aos 57 anos, ela foi escolhida pelo Alto-Comando do Exército, em votação realizada na quarta-feira (24), para ascender ao mais alto nível da carreira militar. A promoção ainda depende de decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), responsável por oficializar a nomeação dos oficiais-generais.
Tradicionalmente, o chefe do Executivo confirma as indicações feitas pelo Alto-Comando. Caso a nomeação seja formalizada, Cláudia Gusmão se tornará a primeira mulher a alcançar o generalato na história do Exército Brasileiro.
O posto de general representa o topo da hierarquia da Força Terrestre, integrando o grupo de Oficiais-Generais responsáveis pelo comando de grandes unidades militares e pelo planejamento estratégico institucional. A trajetória até esse nível costuma exigir cerca de 35 anos de serviço.
Trajetória na carreira militar
Natural de Recife (PE), Cláudia Lima Gusmão Cacho nasceu em 25 de janeiro de 1969. Médica pediatra formada pela Universidade de Pernambuco (UPE), ingressou no Exército em 30 de janeiro de 1996 como oficial temporária, no então 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Goiânia (GO).
Posteriormente, foi aprovada no concurso da Escola de Saúde do Exército, concluindo o Curso de Formação de Oficiais Médicos em 1998, consolidando sua carreira na área de saúde militar.
Ao longo de quase três décadas de serviço, ocupou funções estratégicas de comando e assessoramento, entre elas:
Chefe do Escalão de Saúde do Comando da 1ª Região Militar;
Subdiretora de Legislação e Perícias Médicas da Diretoria de Saúde;
Chefe da Divisão de Perícias Médicas da Inspetoria de Saúde do Comando Militar do Nordeste;
Adjunta da Inspetoria de Saúde do Comando da 9ª Região Militar;
Diretora do Hospital de Guarnição de Natal (RN);
Diretora do Hospital Militar de Área de Campo Grande (MS);
Subdiretora Técnica do Hospital Central do Exército.
Atualmente, exerce a função de subdiretora do Hospital Militar de Área, em Brasília.
Atuação em Campo Grande durante a pandemia
A coronel comandou o Hospital Militar de Área de Campo Grande durante um dos períodos mais desafiadores da história recente: a pandemia da covid-19. A unidade é responsável pelo atendimento de mais de 43 mil usuários do Sistema de Saúde do Exército na área do Comando Militar do Oeste.
Ela permaneceu na direção até 12 de janeiro de 2024, quando transmitiu o cargo ao tenente-coronel médico Paulo Cesar dos Santos Faria. Na cerimônia de despedida, destacou o profissionalismo e o espírito de cooperação da equipe hospitalar no cumprimento da missão institucional.
Marco histórico
A indicação é considerada simbólica dentro das Forças Armadas, onde a presença feminina vem crescendo gradualmente nas últimas décadas. O Exército passou a admitir mulheres em seus quadros permanentes apenas nos anos 1990, o que torna a possível promoção ainda mais representativa em uma instituição historicamente majoritariamente masculina.



