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Sexta, 27 de março de 2026

Força-tarefa amplia combate à chikungunya com armadilhas e mutirão em bairros críticos

Ação coordenada pela Prefeitura de Dourados, através da Secretaria Municipal de Saúde, mira os bairros Jóquei Clube e Santa Felicidade, onde estão os maiores índices de infestação da doença; cidade soma 780 casos confirmados, a maioria na Reserva Indígena.

27 de mar 2026 - 14h:22 Créditos: Prefeitura de Dourados
Crédito: A. Frota

Com o maior número de casos de chikungunya na área urbana, a região do Jóquei Clube, em Dourados, passou a receber uma força-tarefa com mutirão de limpeza e instalação de armadilhas para combater o mosquito Aedes aegypti. A ação também contempla o bairro Santa Felicidade e ocorre em parceria entre município, Estado e Governo Federal. “Estamos recorrendo a todos os meios disponíveis para vencer essa guerra contra o mosquito transmissor dessa doença, mas é importante que cada morador também faça a sua parte acabando com todos os pontos de água parada no interior das residências e nos quintais”, enfatizou o prefeito Marçal Filho.

As equipes iniciaram nesta sexta-feira (27) a implantação das chamadas Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs), tecnologia voltada ao controle do vetor responsável pela transmissão da chikungunya, dengue e zika. A escolha da região leva em conta a alta concentração de casos confirmados na cidade. “A quantidade de lixo depositado em terrenos baldios, calçadas e até mesmo em quintais é impressionante, ou seja, o mosquito encontra esses locais o ambiente ideal para se reproduzir e espalhar a doença”, ressaltou Marçal Filho.

De acordo com o consultor técnico do Ministério da Saúde, Pedro Araújo, a estratégia prioriza áreas urbanas devido à proximidade entre as residências, o que amplia a eficácia das armadilhas. “O mosquito costuma voar até cerca de 300 metros, por isso os dispositivos são posicionados em pontos estratégicos dentro dos bairros”, explicou.

As EDLs funcionam como recipientes com água e uma tela impregnada com larvicida. A fêmea do mosquito é atraída para o local, entra em contato com o produto e, ao se deslocar para outros criadouros, acaba contaminando a água desses ambientes, eliminando larvas e pupas. Estudos da Fiocruz indicam que a técnica pode reduzir em mais de 66% a população adulta do mosquito. Inicialmente, Dourados recebeu 300 armadilhas, com previsão de chegar a 1.000 unidades até a próxima semana. Os equipamentos permanecem instalados nos imóveis e passam por manutenção a cada 30 dias, com troca do material.

Além da instalação das armadilhas, o mutirão de limpeza atua na retirada de entulhos e materiais que acumulam água. Equipes da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos mobilizaram caminhões e maquinário pesado para atender a região, incluindo a remoção de um lixão irregular nos fundos do Santa Felicidade.

O secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, informou que, após o decreto de emergência assinado pelo prefeito Marçal Filho, a prefeitura prepara a contratação temporária de agentes de endemias e também de profissionais da saúde como médico e da enfermagem para reforçar o atendimento, tanto na área urbana quanto na Reserva Indígena. Ele diz que é esperado aumento de casos da doença pelas próximas oito semanas.

Durante a ação, o prefeito Marçal Filho acompanhou os trabalhos e reforçou o apelo à população. “Estamos em uma verdadeira guerra contra o mosquito”, enfatizou. “É fundamental que todos façam sua parte e eliminem qualquer objeto que possa acumular água”, destacou. Enquanto isso, as ações seguem intensificadas na Reserva Indígena de Dourados, onde os trabalhos já entram na terceira semana consecutiva.

AVANÇO DA DOENÇA

O boletim epidemiológico mais recente aponta 1.638 casos prováveis e 780 confirmações da doença em Dourados, com taxa de positividade de 78,15%. Ao todo, são 37 pessoas internadas, sendo a maioria no Hospital Universitário.

As unidades de saúde com maior número de registros incluem a aldeia Bororó, com 147 casos, seguida pelo bairro Jóquei Clube, com 129. Também aparecem entre os locais mais afetados os bairros Seleta, Parque do Lago II e Jardim Piratininga. O município já confirmou cinco mortes pela doença, com vítimas entre um mês e 73 anos, todas na Reserva Indígena.

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