O homem de 26 anos detido após agredir violentamente um paciente transplantado em uma clínica oftalmológica de Campo Grande voltou a protagonizar um episódio de violência enquanto estava sob custódia policial. Na tarde de terça-feira (27), ele se envolveu em uma briga com outro preso dentro da Depac-Cepol, no Centro Integrado de Polícia Especializada.
Segundo informações registradas em boletim de ocorrência, policiais civis que atuavam no plantão ouviram tumulto vindo da área de custódia e, ao verificarem a situação, encontraram dois detentos em confronto físico dentro da cela 1. A troca de agressões incluiu socos e chutes. Outros três presos estavam no local, mas não participaram do episódio.
Após a confusão, os envolvidos foram separados. O suspeito das agressões foi encaminhado à Depac do Centro, enquanto o outro detento foi transferido para outra cela. Em depoimento, ambos apresentaram relatos divergentes sobre o início da briga. Os demais custodiados afirmaram que estavam dormindo e não souberam explicar o motivo do confronto.
Agressão causou perda irreversível da visão
O andarilho foi preso após atacar um homem de 44 anos dentro de uma clínica, durante a madrugada. A vítima havia passado recentemente por um transplante de córnea e sofreu lesões gravíssimas após ser atingida com um soco no olho esquerdo. Imagens de câmeras de segurança registraram a agressão.
De acordo com o médico que prestou o primeiro atendimento, o impacto rompeu os pontos cirúrgicos e provocou extravasamento do globo ocular. Apesar da tentativa de reparo emergencial, o paciente terá comprometimento permanente da visão, que havia sido parcialmente recuperada com o transplante.
Diante da reincidência e da gravidade dos fatos, o delegado Felipe Alvarez Madeira solicitou a prisão preventiva do suspeito. Conforme a polícia, ele acumula ao menos sete passagens por crimes semelhantes e é conhecido por atitudes agressivas na região central da cidade. Pouco antes da prisão, ele ainda teria atacado outra pessoa nas imediações da clínica.
Medidas de segurança serão revistas
A direção da clínica informou que o local funciona diariamente das 6h às 22h e que, no momento da agressão, não havia funcionários presentes. O diretor administrativo, Bruno Capobianco, afirmou que a empresa avalia novas estratégias para reforçar a segurança fora do horário de atendimento.
Segundo ele, apesar da circulação frequente de pessoas em situação de vulnerabilidade social na região, nunca havia sido registrado um episódio de violência semelhante nas dependências da clínica.
Comerciantes relatam clima constante de insegurança
Relatos de moradores e trabalhadores apontam que situações de violência não são isoladas na área. Um funcionário de uma cafeteria próxima afirmou ter sido agredido pelo mesmo suspeito em junho de 2025. O ataque foi flagrado por câmeras de monitoramento.
O trabalhador contou que o estabelecimento costuma doar alimentos no fim do expediente, mas que o agressor iniciou uma discussão ao exigir atendimento imediato. Após a agressão, ele teria feito ameaças e continuado a circular pelo local de forma intimidatória.
Ainda segundo comerciantes da região, há registros de novos ataques aleatórios e queixas frequentes de assédio contra mulheres que transitam pelas proximidades.



