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Domingo, 01 de fevereiro de 2026

Justiça de MS cobra R$ 6,8 milhões de empresário investigado por esquema de fraudes

Polícia aponta uso de empresas de fachada para enganar investidores.

29 de jan 2026 - 08h:55 Créditos: Redação, com informações do Midiamax
Crédito: Divulgação/PCSP

Alvo da Operação Castelo de Cartas, que apura um esquema de fraudes financeiras, o empresário Camillo Gandi Zahran Georges acumula dívidas cobradas judicialmente em Mato Grosso do Sul que chegam a R$ 6,86 milhões, considerando valores atualizados.

Camillo e o irmão, Gabriel Gandi Zahran Georges, são apontados pela polícia como responsáveis por uma associação criminosa que teria obtido lucros milionários por meio de fraudes bancárias, principalmente no estado de São Paulo. Contra Camillo havia mandado de prisão, mas ele não foi localizado e, por isso, é considerado foragido.

Na Justiça sul-mato-grossense, tramitam duas ações de cobrança contra o empresário, baseadas em contratos de confissão de dívida — instrumento no qual o devedor reconhece formalmente a obrigação de pagamento. Não há confirmação se os autores das ações figuram entre as vítimas investigadas no inquérito policial.

De acordo com os processos, Camillo teria assinado os documentos reconhecendo os débitos, mas descumpriu os pagamentos acordados. Antes de recorrerem ao Judiciário, os credores afirmam que tentaram resolver a situação de forma extrajudicial, sem sucesso.

Um dos contratos foi firmado em 26 de fevereiro de 2024, no valor atualizado de R$ 5,38 milhões. O outro, assinado em 4 de dezembro de 2023, cobra cerca de R$ 1,48 milhão.

Em uma das ações, a parte autora relata que investiu todo o capital disponível na implantação de três empreendimentos em parceria com Camillo, mas posteriormente descobriu que os recursos teriam sido desviados e que as empresas nunca chegaram a ser formalmente constituídas.

Ainda conforme os autos, a autora — que estava grávida à época — teria enfrentado grave situação financeira, acumulando dívidas com banco e cartão de crédito, além de precisar devolver o imóvel alugado por falta de renda. O marido estaria desempregado, agravando o cenário.

Camillo foi citado judicialmente em apenas uma das ações, mas não foi encontrado no endereço informado. A reportagem tentou contato com a defesa do empresário, sem sucesso. O espaço segue aberto para manifestações.

Operação Castelo de Cartas

Segundo a Polícia Civil, os investigados prometiam altos rendimentos a investidores, alegando falsamente vínculo com um grupo empresarial do setor de gás e energia, pertencente a uma tradicional família sul-mato-grossense.

Em coletiva de imprensa, o delegado Fernando Tedd explicou que os irmãos teriam criado empresas de fachada para simular investimentos ligados ao grupo.

“Utilizando essa falsa credibilidade, eles induziam as pessoas a acreditar que estavam investindo nas empresas do grupo. Criaram uma empresa de fachada que simulava essa situação e passaram a captar recursos”, afirmou.

As vítimas, inclusive em São Paulo, só perceberam o golpe ao tentar receber os supostos dividendos prometidos, quando então registraram ocorrências em diferentes delegacias.

Empresas de fachada e fases da operação

De acordo com a investigação, os irmãos não integram a administração de nenhuma empresa da família mencionada, mas simulavam que os negócios eram terceirizados do grupo. Um dos investigados foi ouvido pela polícia, enquanto o outro permanece foragido.

A primeira fase da operação ocorreu em condomínios de alto padrão em São José do Rio Preto (SP), onde um homem foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.

Já a segunda fase, deflagrada nesta quarta-feira (28), cumpriu mandados de busca e apreensão em dois condomínios no bairro Carandá Bosque, área nobre de Campo Grande. No local, foram apreendidas pedras preciosas, uma picape Rampage, um celular e um relógio de luxo.

As investigações seguem em andamento para apurar os crimes de estelionato e fraude eletrônica.

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