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Sábado, 21 de fevereiro de 2026

Procedimento com polilaminina apresenta respostas iniciais em paciente de 19 anos

Proteína em estudo busca estimular reconexões nervosas após trauma grave

29 de jan 2026 - 09h:06 Créditos: Redação, com informações do Midiamax
Crédito: Henrique Arakaki

Após meses marcados por incertezas, a trajetória de Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, passou a incluir um novo elemento: a possibilidade de recuperação neurológica. O jovem foi submetido a uma cirurgia experimental com polilaminina, substância que vem sendo estudada por seu potencial de estimular a regeneração de conexões nervosas em pacientes com lesões na medula espinhal.

O procedimento ocorreu no Hospital Militar de Campo Grande, na última quarta-feira (21), e durou cerca de 40 minutos. Poucos dias depois, já em acompanhamento domiciliar e fisioterapêutico, Luiz começou a perceber respostas corporais que não existiam antes da intervenção, o que tem fortalecido a expectativa de evolução clínica.

Lesão grave e mudança abrupta de vida

Luiz teve a rotina interrompida em outubro de 2025, quando foi atingido por um disparo acidental de arma de fogo, que causou uma lesão medular cervical severa. O trauma resultou em tetraplegia e exigiu internação prolongada, além de reestruturação completa da vida pessoal e familiar.

Durante o período hospitalar, que se estendeu por aproximadamente três meses, a família buscava alternativas que pudessem ampliar as chances de recuperação do jovem, diante de um quadro considerado irreversível pelos tratamentos convencionais.

Descoberta da polilaminina e autorização judicial

A possibilidade do uso da polilaminina surgiu apenas no fim de 2025, quando os pais tomaram conhecimento da substância por meio de uma reportagem jornalística. A proteína, extraída da placenta, atua como suporte para que neurônios lesionados encontrem novas rotas de comunicação, o que pode resultar na retomada parcial de funções motoras.

Por se tratar de um medicamento ainda não registrado, foi necessário recorrer a um processo judicial para autorizar o chamado uso compassivo. A liberação envolveu análises médicas, pareceres técnicos e aval da Anvisa, o que adiou a cirurgia inicialmente prevista.

Mesmo com o adiamento, a família manteve a decisão de seguir com o tratamento assim que a autorização fosse concedida.

Procedimento e acompanhamento especializado

A cirurgia foi realizada por uma equipe composta por especialistas de diferentes instituições, incluindo profissionais do Hospital Militar, do Hospital Souza Aguiar (RJ) e pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo os médicos, o perfil clínico e a idade do paciente são fatores positivos para a resposta ao tratamento. Luiz segue sob monitoramento contínuo e passou a intensificar a fisioterapia, considerada essencial para potencializar os efeitos da proteína.

Pouco tempo após a aplicação, o jovem passou a notar movimentos involuntários e respostas visuais aos estímulos, algo inexistente antes da cirurgia.

Procedimento inédito no estado

A aplicação da polilaminina em Luiz é considerada uma das primeiras no Mato Grosso do Sul. A pesquisa é liderada pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ, em parceria com o Laboratório Cristália, e recebeu recentemente aval do Ministério da Saúde e da Anvisa para avançar nas fases de estudo.

Apesar dos resultados iniciais positivos, o medicamento ainda precisa passar por ensaios clínicos mais amplos, definição de dosagem, avaliação de riscos e posterior solicitação de registro sanitário para uso no SUS e na rede privada.

Até a conclusão dessas etapas, o acesso permanece restrito a decisões judiciais específicas.

Esperança cautelosa

Não há garantia de que Luiz voltará a andar, mas os profissionais envolvidos consideram realista a expectativa de recuperação parcial dos movimentos, o que pode representar ganhos significativos de autonomia e qualidade de vida.

A família acompanha cada avanço com cautela, ciente de que o processo é longo e depende de múltiplos fatores. Ainda assim, o tratamento trouxe algo que não existia nos primeiros meses após o acidente: perspectiva.

A evolução do jovem segue sendo acompanhada por equipes médicas locais e pelos pesquisadores responsáveis pelo estudo.

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