
Brô MC's conquistou um feito inédito para o grupo de rap indígena de Mato Grosso do Sul, colocou a música “Jahara” na trilha sonora oficial da EA SPORTS FC25, o famoso Fifa, um dos jogos mais conhecidos e jogados no mundo. Como se não bastasse, os personagens do jogo ainda têm uniforme personalizado do grupo com símbolos indígenas. A canção faz parte do tão sonhado álbum “Retomada”, feito em parceria com DJ Alok. Para eles a conquista rompe barreiras tanto culturais quanto sociais.

O álbum, com 9 faixas, foi lançado neste mês. O Lado B conversou com o grupo e com o DJ para contar um pouco de como foi o processo e o porquê da demora no lançamento. As canções já estavam prontas desde 2019, mas só agora chegaram às plataformas digitais.
Sem medo de não agradar e apostando em um cenário mais aberto à cultura indígena, o Brô MC's fez um álbum com 90% das músicas cantadas na língua nativa guarani-kaiowá. Você pode conferir a entrevista completa aqui. Já Alok disse que tem muita admiração pela história de vida deles, marcada por muita luta contra todo tipo de intolerância e preconceito.


“Acho que eles trazem para o mundo do rap uma contribuição incrível. São o primeiro grupo de rap indígena do Brasil, creio que também os primeiros em todo o mundo a gravar na língua originária, e a música que fazem tem uma força criativa e poética surpreendente. Fico muito feliz de termos gravado juntos a faixa Jaraha, que está no álbum ‘O Futuro é Ancestral’, e agora o Instituto Alok lança um álbum só deles, integrando a Coleção SOM NATIVO. Os Brô são um exemplo da união de garra e talento.”
As faixas falam sobre as dificuldades de ser indígena no Estado, passam uma mensagem de força e coragem aos Guarani-Kaiowá, trazem o período pandêmico para a cena e abordam a luta pelo território. Os nomes das 9 músicas presentes no disco são: Orereko, Cemitério, Nda Peikua’ai, Pehendu Haguã, Ndo Alei Petî, Retomada, Eju Mokõi, Drill GK e Até o Fim.
“Lançar a coleção é uma oportunidade de levar ao mundo as obras musicais de artistas indígenas incríveis e muito talentosos que colaboraram comigo na produção do álbum ‘O Futuro é Ancestral’. Muitos deles me contaram que não tinham qualquer registro escrito de suas canções, então poder gravar e lançar suas músicas é uma alegria, porque sei que contribui para fortalecer suas culturas, suas identidades e, ainda, para manter vivas as línguas indígenas”, comentou Alok.