Mesmo após ter sido expulso da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS), um advogado voltou a atuar profissionalmente em Campo Grande. Ele foi excluído da entidade em 2024, após denúncias graves envolvendo crimes sexuais contra crianças e adolescentes, investigados pela Polícia Federal.
O profissional havia sido preso em março de 2021 durante a Operação Lobos II, que apurou a divulgação de material de pornografia infantil na internet. Na ocasião, as investigações apontaram que ele armazenava, compartilhava e produzia conteúdos ilícitos envolvendo menores de idade.
A expulsão da OAB ocorreu após análise do Conselho de Ética, que considerou as denúncias e os desdobramentos judiciais do caso. No entanto, o advogado entrou com recursos administrativos que suspenderam temporariamente os efeitos da decisão. Enquanto o processo não é concluído, ele permanece autorizado a exercer a profissão.
Segundo apuração do Jornal Midiamax, a defesa ainda aguarda decisão definitiva da OAB-MS. Caso o recurso seja negado, o profissional terá a carteira recolhida de forma definitiva.
Evidências reunidas pela Polícia Federal
Durante as investigações, a Polícia Federal encontrou um pen drive com imagens e vídeos de crianças e adolescentes em situação de abuso sexual. De acordo com os autos, o material era armazenado e compartilhado em fóruns da deep web.
As apurações indicaram ainda que o advogado teria cometido estupro contra ao menos 13 vítimas. Por isso, a Justiça Federal o condenou a 6 anos, 3 meses e 8 dias de prisão. Ele chegou a cumprir pena em regime fechado, mas já estava em liberdade quando ocorreu sua exclusão da OAB, em 2024.
Segundo a PF, o investigado utilizava o codinome “lepolepolepo” em fóruns clandestinos e publicou centenas de mensagens entre 2016 e 2019, incluindo comentários com referências diretas a familiares e possíveis vítimas.
Operação Lobos II
A Operação Lobos II ocorreu em diversas regiões do país, alcançando 55 municípios. Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de prisão em flagrante por armazenamento e compartilhamento de pornografia infantil, além de sete prisões preventivas.
As investigações apontaram que o grupo criminoso atuava de forma organizada, com divisão de tarefas, e utilizava a deep web para disseminar o conteúdo ilegal. Estima-se que mais de um milhão de usuários tenham acessado os materiais compartilhados.



