Eurízio Ferreira de Andrade foi condenado por homicídio qualificado, tentativa de feminicídio e ocultação de cadáver, após decisão do júri em São Gabriel do Oeste. A sentença foi proferida na última quinta-feira (27) e divulgada nesta segunda-feira (30).
De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, o crime ocorreu em 23 de junho de 2024, em uma fazenda no município. Na ocasião, o réu matou Jennifer Gimenes Morgenrotti com um disparo de arma de fogo, surpreendendo a vítima e impossibilitando qualquer chance de defesa.
Segundo a investigação, o assassinato foi cometido para facilitar outro crime. Logo após o homicídio, o acusado tentou executar Franciele Franco da Silva, que também estava no local. Ele atirou contra a vítima, atingindo sua cabeça de raspão, além de agredi-la e tentar estrangulá-la com um fio.
Mesmo ferida, Franciele conseguiu fugir e se esconder em uma área de mata, onde permaneceu por cerca de seis horas, entre 11h e 17h, temendo ser encontrada pelo agressor, que ainda a procurava na região.
A decisão judicial destaca que a vítima estava vulnerável e em constante estado de pânico. Além disso, sofreu consequências psicológicas profundas, necessitando de acompanhamento e tendo sua vida pessoal impactada, inclusive na capacidade de cuidar das filhas.
Após os crimes, o homem ainda tentou ocultar os corpos, arrastando as vítimas para a mata, limpando vestígios de sangue e desligando câmeras de segurança para dificultar a investigação.
O júri reconheceu que a tentativa de homicídio contra Franciele foi praticada com meio cruel, recurso que dificultou a defesa e por razões de gênero. Já o assassinato de Jennifer foi considerado duplamente qualificado.
Com isso, o réu foi condenado a 19 anos e 10 meses pelo homicídio, 15 anos, um mês e 15 dias pela tentativa de feminicídio e mais um ano e 10 dias-multa pela ocultação de cadáver, totalizando 35 anos, 11 meses e 15 dias de reclusão, em regime inicial fechado.
A juíza Samantha Ferreira Barione também determinou o pagamento de indenização por danos morais: R$ 50 mil para a vítima sobrevivente e R$ 50 mil para cada familiar da jovem que morreu.



